XVII Jornadas Libertárias de Compostela


Mais um ano, e já são dezassete, a CNT de Compostela organiça as Jornadas Libertárias, este ano sob a legenda Derrubando muros. Mais um ano exporão-se temas de actualidade desde a nossa óptica libertária. As Jornadas terão lugar entre os dias 16 e 20 do mês de Novembro, e incluem quatro palestras e a projecção dum filme.

As jornadas começam na segunda-feira, 16, com uma palestra com diferentes companheiros insubmissos ao serviço militar desde primeiros dos anos oitenta até os primeiros anos do novo século, que darão sua vissão da vigência da insubmissão como possição de enfrentamento à militarização permanente do mundo, e farão um repasse das formas que adoitou esta luta até chegar à última e radicaliçada insubmissão nos quarteis.

A terça-feira, 17, membros de COOP57, cooperativo de serviços financieiros destinada a conceder empréstimos a projetos de economia social, apresentarão seu projeto e a alternativa das bancas éticas face a hegemonia do capital. www.coop57.coop/esp/home.html

Na quarta-feira, Leiser Pelles, companheira de Anarquistas Contra o Muro, organização isrealina que se opón à construcção da barreira da faixa de Gaza e a de Cisjordania, relatará-nos a dureça e dignidade da sua luta contra o terrorismo de estado israelino e pela superação das fronteiras atraves da resistência não violenta, a desobediênica civil e a acção direta. http://awalls.org/

A quinta-feira contaremos com a presença dum companheiro da FAU, anarco-sindicato da Alemanha federado na AIT, ao igual que a CNT, que nos há falar do desenvolvemento do anarco-sindicalismo na Alemanha. http://www.fau.org/

Para clausurar as jornadas, e lembrando que num 20 de Novembro de 1963 morria o companhero Durruti, projetará-se o filme "Buenaventura Durruti. Anarquista", retrato do mítico anarquista leonés, seguindo roteiro de Albert Boadella, e coma participação de Els Joglars.

Os actos serão todos às 19:30 no local da CNT, na Rua Garcia Prieto, menos a palestra de Anarquistas contra o muro, que se celebrará na galeria de Sargadelos, na Rua Nova,


1º dia

Onte deram começo as XVII Jornadas Libertárias, com a presença de três insubmissos que parolaram longamente sobre a luta da insubmissão com as trinta pessoas asistentes.

O companheiro Saco foi o primeiro a falar, desde a sua experiência de pessoa insubmissa a primeiros dos oitenta, momento no que nem estava recolhida a objeção de consciência e não chegaria nem a ser julgado. Saco apontou a importância do movimento libertário e da CNT na activação da insubmissão como luta, superando amplamente as posições de nacionalistas e comunistas, que tentariam de diversas formas de recuperar e canalizar a luta.

Seguidamente, Cristian deu-nos sua vissão como insubmisso a primeiros dos noventa, momento no que a objeção já estava reconhecida e dera em aparecer a Prestação Social Substitutória, coincidindo com uma maior repressão às pessoas insubmissas, com as conhecidas condenas de 2, 4, 1. Cristian valorizou a importância da postura anti-militarista no seu próprio crescimento pessoal e ideolôgico, e o por quê da oposição à PSS desde uma óptica também sindicalista, ao cobrir com pessoal "gratis" diversos postos de trabalho.

Finalmente, o companheiro Alberto, deu um repaso da reação do poder ao movimento da insubmissão desde o franquismo, e contou-nos a última estratégia do anti-militarismo antes da desaparição da obrigatoriedade do serviço militar, a insubmissão nos quarteis, que de facto constituia uma deserção, o julgamento pelo côdigo militar e afrontar penas de até seis anos de prisão militar. Esta estratégia, da que participou o próprio Alberto, procurava fazer visível a pervivência do militarismo para além do mantemento ou não da mili.

O debate a seguir centrou-se em temas como a dispersão do movimento anti-militarista desde organizações nacionalistas e comunistas, o papel assumido pelas mulheres numa luta tão propriamente de homens, ou a contínua militarização que sofre o undo, desde a violenta ocupação militar de tantas zonas do planeta, até a extensão do militarismo a quotidianidade das nossas vidas.

Houve por suposto lembranças para os insubmissos que não puderam estar presentes, companheiros como Ramiro, Mário "O Tigre", Joseph Ghanime ou Paco Castellón, que tanto aportaram para a luta contra o militarismo.

2º dia

Ontem tevemos o prazer de conversar com Ramón Carmelo, membro de coop57, sobre a actividade das coperativas financeiras como esta, que procurão desde presupostos não lucrativos e opostos aos da banca tradicional, servir de alternativa ao investimento capitalista e ao aforro acumulativo, tencionando fornecer de ajuda financeira a projetos coperativos da Galiza. Ramón deu-se a ver como um grande experto no movimento coperativo presente e passado, e deu-nos uma muito ampla vissão do tipo de projetos como coop57, alicerçados na cultura mutualista e coperativa, explicando transparentemente e com grande honestidade o trabalho deste organização, os seus passos de futuro e as suas eivas ou incoeréncias. Foi um debate muito agradável e positivo, que deve servir para espalhar as últimas tentativas para esquivar o capital, em maior ou menor medida.

outro segundo dia

Celebramos a palestra de "Banca ética contra o capital" com a presença de Ramom Carmelo que nos explicou pelo miudo as ventagens deste tipo de banca que nada tem que ver com a tradicional que nos explora.
Explicou perante um público atento que rondava as 25 pessoas no local da CNT os princípios da coop57:
- Princípio de compatibilidade que se etsabelece em função do rendemento social e calro está da viabilidade económica.
- Princípio de democracia e aotu-gestão, para que @s usuári@s controlemos os nossos aforros.
- Princípio de transparência, para que tenhamos controlo público e acceso em qualquer momento.
- E, por último, princípio de desenvolvemento local e arraigamento social, pois os recursos de cada território destinam-se aos projectos sociais de cada territorio.
Explicou tambem o companheiro Ramom como se decidia na banca ética coop 57 todo o funcionamento interno em base ao assemblearismo, mesmo o preço do dinheiro através da assembleia de socios e socias, depois o Conselho que se ampara na Comissão social e Comissão técnica.
As diferenças entre coop57 e a banca convencional baseam-se em que esta não é um fim senão um meio de transformar as relações económicas, que os juros fixam-se em assembleia geral e não o Banco de ESpanha; as garantias que se pedem aos socios e socias que não são patrimoniais nem solidárias, mas mancomunadas e pessoais.
Em seis anos facilitaram o funcionamento de 300 projectos e o grau de morosidade é zero.

3º dia

Muito interessante a palestra com o companheiro Leiser Peles, membro de Anarquistas contra o Muro. Com a presença de 50 pessoas, o companheiro repassou a actividade desta organização de oposição à construção muro na franxa de Gaza, baseada na ação direta e na solidariedade com a população palestina.
Após um repase da história do Estado de Israel, comentou-nos e amosou-nos em abundante material em video, o clima de violência e tensão em que se desenvolvem os protestos e ataques contra o muro, a perseguição à população palestina, a diferência por parte do exército no trato aos israelinos ou aos palestinos, a sua firme vontade de agir na mesma direção de enfrentamento.
Lamentávelmente, a palestra foi frustrada pela própria Galeria de Sargadelos, que talvez disgustados com o que lá se falava, mandou-nos abandonar o local antes das nove da noite, pelo que decidimos continuar com o debate nas portas da própria galeria, pois de onde nunca poderemos ser deslocados será da rua.

4º dia

O joves, o companheiro Florian, sindicalista da FAU-Berlín e editor do periódico anarco-sindicalista Direkte-Aktion, teve a oportunidade de charlar com nós por mais de duas horas sobre a situação actual do mercado laboral na Alemanha e a resposta que estão a levar a cabo desde a FAU, sindicato aderido à AIT.

O companheiro explicou como na Alemanha, igual que no resto de Europa, o neo-liberalismo está a precariçar grandemente o trabalho, favorecendo a contratação temporal, a baixada dos salários, o recorte das prestações sociais, todo o qual desde os governos social-democratas ou de direitas, e com o silêncio dos sindicatos oficiais, como é o monopolizador DGB.

DEsde a FAU a resposta passa pela organização dos trabalhadores em sindicatos de base e assembleares, proposta que está a ter uma maior resposta desde a clase operária, de aí o crescimente do sindiato alemão nos últimos anos. Florian explicou as suas últimas campanhas contra a contratação temporal, tentativas de auto-gestão das fábricas como a de Strike-Bike em 2007, e os seus últimos conflitos laborais, como pode ser o do Cinema Babylon. Para alem, comentou as especiais difculdades legais que padecem.

A palestra foi muito positiva e todos saimos sabendo algo mais dos nossos companheiros alemãos, convencidos da necessidade de artelhar estruturas permanentes de solidariedade internacional como é a AIT, e satisfeitos de saber que o sindicalismo anarquista volve espalhar-se pelo mundo.

Último dia

Finalmente, para encerrar as jornadas, na sexta-feira proxectou-se o filme "Buenaventura Durruti: Anarquista", de Jean Louis Comolli, lembrando na data do 20 de Novembro a este quase mítico cenetista e grande lutador pela liberdade.

Ficamos com uma muito grata lembrança destas jornadas e de tod@s @s conferenciantes que, sem cobrar nem um euro, fizeram possivel que esta experiência de espalhamantos das ideias libertárias desde a mais absoluta auto-gestão fora adiante mais um ano. E mais os que ficam por vir!

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